Paralisação nos EUA: Global Entry Causa Filas para Brasileiros

Uma ilustração de infográfico em estilo flat dividida verticalmente, mostrando o impacto do shutdown nos EUA para viajantes brasileiros. Do lado esquerdo, uma multidão de pessoas cansadas em uma fila de aeroporto sob uma placa que indica tempos de espera acima de 90 minutos para Miami, Orlando e Houston, com o texto "Shutdown nos EUA: Caos na Imigração". Do lado direito, um quiosque de autoatendimento do Global Entry bloqueado por fitas de isolamento, com avisos de "Suspenso Temporariamente". Abaixo, uma seção lista razões para a baixa adesão no Brasil: Desconhecimento, Valor de Inscrição Elevado ($120 USD) e Inconsistência do Sistema. A paleta de cores inclui tons de vermelho para alertas e azul para informações.

Publicação atualizada em 3 de março de 2026 por Gil Mapas

A paralisação do governo americano gera atrasos críticos, pois suspende o sistema Global Entry e obriga brasileiros a enfrentarem filas exaustivas nos aeroportos dos EUA.

Direto ao Ponto

O Impacto Direto na Malha Aeroportuária Americana

À medida que a paralisação do governo dos Estados Unidos se estende para sua sexta semana, a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) interrompe as operações de suas faixas de chegada acelerada. Consequentemente, os programas de “Viajantes Confiáveis” (TTP), incluindo o Global Entry, deixam de funcionar em todos terminais internacionais nos Estados Unidos. Essa decisão, confirmada oficialmente em 28 de fevereiro de 2026, atinge em cheio os passageiros brasileiros que dependem da agilidade tecnológica para ingressar no país.

Atualmente, o fechamento afeta não apenas os quiosques físicos, mas também as funcionalidades do Mobile Passport e do sistema APC. Devido a essa suspensão, cerca de mil brasileiros que utilizam esses serviços precisam migrar para as linhas regulares de imigração. Como resultado direto, o tempo de processamento aumenta consideravelmente, gerando um efeito cascata nos principais hubs de conexão.

Aumento nos Tempos de Espera e Logística de Viagem

A embaixada do Brasil em Washington relata que os tempos médios de liberação para portadores de passaporte brasileiro sofreram uma alteração drástica. Em cidades como Miami, Orlando e Houston, a espera agora excede 90 minutos, contrastando fortemente com os habituais 20 minutos de períodos operacionais normais. Por causa desse cenário, as companhias aéreas já orientam os passageiros a reservarem tempos extras para conexões internas. Além disso, gestores de viagens corporativas revisam urgentemente as diretrizes de segurança e itinerários para voos realizados no mesmo dia.

Para os brasileiros que necessitam revisar o status de sua conta ou renovar documentos, a situação exige paciência. No momento, todas as operações administrativas do programa permanecem suspensas por tempo indeterminado. Entretanto, o CBP esclarece que a paralisação não revoga as associações ativas nem cancela inscrições que já estão em andamento. Apesar de os centros de inscrição estarem fechados, o órgão promete prorrogar automaticamente os prazos assim que o financiamento governamental for restaurado.

Fila na imigração americana. Crédito: Arte gmapas.com

Recomendações Estratégicas para o Viajante

Do ponto de vista da mobilidade global, as empresas devem alertar suas equipes de viagem sobre a necessidade de escalas mais longas. Além disso, os especialistas sugerem considerar portos de entrada com tráfego tradicionalmente mais leve, como Dallas/Fort Worth ou Chicago, para mitigar os atrasos. Outro ponto relevante envolve brasileiros com dupla nacionalidade; recomenda-se portar tanto o passaporte brasileiro quanto o documento de isenção ESTA juntamente com o passaporte da cidadania que permite o uso do programa, visando evitar inspeções secundárias desnecessárias.

Por que tão poucos brasileiros utilizam o Global Entry?

Embora o programa prometa agilidade, a adesão brasileira permanece baixíssima por causa dos seguintes fatores:

Primeiramente precisamos analisar essas informações. Segundo alguns portais de turismo e escritórios especializados em imigração nos EUA, existem cerca de seis milhões de vistos americanos B1/B2 ativos para brasileiros. No entanto, ressaltamos que esse número é pura especulação, podendo ser bem maior ou menor. Isso ocorre porque o Departamento de Estado dos Estados Unidos, responsável pela emissão de vistos, não divulga e não mantém (ao menos) publicamente uma lista ou relatório do número de vistos ativos no Brasil ou por países.

Independentemente do número exato, a comparação com o volume de usuários brasileiros do Global Entry — pouco mais de mil em 2025 — levanta um questionamento inevitável sobre essa baixa adesão. Consequentemente, identificamos três pilares que explicam esse fenômeno:

1. Desconhecimento e Marketing Equivocado

Muitos brasileiros, inclusive viajantes frequentes ou que realizam conexões nos EUA, simplesmente desconhecem o programa. Além disso, quando conhecem, frequentemente ignoram que ele está disponível para brasileiros, mesmo após as suspensões atuais. Esse problema ocorre porque o marketing anterior do CBP “vendia” o programa focando em viajantes frequentes. Por causa disso, muitos brasileiros acreditavam erroneamente que o Global Entry não se aplicava ao seu perfil por não “viajarem muito aos EUA”. Atualmente, o CBP mudou o foco para “viajantes confiáveis” (TTP), pois a frequência de viagens nunca foi e não é um critério de aprovação.

2. O Fator Econômico

O valor da inscrição também atua como um impeditivo relevante. Atualmente, o CBP cobra 120 dólares americanos pela inscrição, o que representa cerca de 621,00 reais em uma conversão direta no câmbio atual. Para quem realiza apenas uma viagem anual ou possui uma família de quatro membros, por exemplo, o custo total pode não compensar o benefício de evitar a fila da imigração ocasionalmente. Portanto, o investimento financeiro acaba sendo um obstáculo para o viajante eventual.

3. Inconsistência e Burocracia

Somado a esses fatos, a implementação do Global Entry no Brasil sofre com inconsistências crônicas. O programa apresenta problemas constantes e, atualmente, encontra-se suspenso para novas inscrições de brasileiros, além da suspensão global pelo shutdown americano. Essa instabilidade se soma aos tempos elevados de processamento; existem usuários que realizaram a inscrição há mais de um ano e, até o momento, não receberam nenhuma resposta oficial do CBP. Dessa forma, a incerteza afasta potenciais novos membros.


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