Publicação atualizada em 19 de novembro de 2025 por Gil Mapas
Ao visitar Belém, descobrimos a Ilha do Combu. Antes esquecida, hoje a ilha desponta como refúgio imperdível de natureza e gastronomia no Rio Guamá.
Direto ao Ponto
O Início da Nossa Jornada
Quem visita Belém do Pará encontra na região vários locais e atrações, e a Ilha do Combu, do outro lado do Rio Guamá, destaca-se entre eles. Embora os turistas tenham negligenciado o local por anos, a recente proliferação de restaurantes transformou a ilha em um refúgio imperdível.
Inicialmente, começamos nossa visita no Terminal Hidroviário Ruy Barata, na Praça Princesa Isabel, bairro do Condor. O local possui uma estrutura básica para a compra de passagens e estacionamento. As lanchas realizam a travessia sem horário fixo, o que torna o passeio uma aventura por si só. Durante o percurso de 15 a 20 minutos, sentimos uma transição mágica: a silhueta urbana de Belém cede lugar, gradualmente, a um horizonte infinito de verde exuberante. Contudo, recomendamos verificar os horários de retorno, pois os barqueiros diminuem a frequência após as 18h. Pagamos R$ 24,00 pelo transporte (ida e volta), que oferece gratuidade para crianças até 5 anos, idosos acima de 60 e pessoas com deficiência.
Ao desembarcar, percebemos que a via fluvial representa a única forma de locomoção, já que não existem caminhos para caminhadas livres — algo que também não recomendamos para quem desconhece o território. Nesse sentido, o Igarapé do Combu atua como o coração da vida social e gastronômica local. Enquanto navegava por suas águas, especialmente na maré baixa, avistei as pedras no leito do rio, um fenômeno natural que encanta os visitantes. De fato, o turismo se desenvolveu justamente ao longo desse igarapé, onde mais de trinta bares e restaurantes ocupam a beira d’água.
Sabores da Ilha
Sobretudo, a oferta gastronômica constitui um dos grandes atrativos. Restaurantes como o Saldosa Maloca, com sua vista deslumbrante para Belém, e o Chalé da Ilha, com piscina em meio ao verde, atraem muitos visitantes. Além disso, muitos estabelecimentos, como a Casa Combu e o Combu Grill, oferecem piscinas naturais para nos refrescarmos. A culinária paraense, claro, apresenta qualidade excepcional, com pratos à base de peixes frescos (como o tambaqui), camarões, caranguejo e acompanhamentos típicos.


A Doçura da Experiência
Por outro lado, a Ilha do Combu reserva uma experiência que vai além da gastronomia. Conhecer a Casa do Chocolate da Dona Nena, a “Filha do Combu“, tornou-se quase uma obrigação. Pessoalmente, vivenciei uma experiência única ao degustar seus chocolates orgânicos e artesanais, feitos com cacau cultivado ali mesmo na ilha. A história de Dona Nena inspira: ela começou a comercializar o chocolate que a família produzia para consumo próprio e, com a parceria de chefs renomados, viu seu produto ganhar destaque nacional e integrar a Rota do Chocolate da Amazônia.
História e Comunidades
Vale ressaltar que a ilha supera a definição de mero polo gastronômico; ela constitui uma Área de Proteção Ambiental (APA) oficializada em 1997. Indígenas, negros que fugiam da urbanização e migrantes nordestinos do ciclo da borracha povoam sua história. Atualmente, cerca de 200 famílias ribeirinhas vivem nas cinco comunidades da ilha — Beira Rio Guamá, Igarapé do Combu, Furo da Paciência, Igarapé do Piriquitaquara e Furo do Benedito — onde mantêm um modo de vida intimamente ligado ao rio e à floresta.
Finalmente, para os amantes da natureza, existem trilhas ecológicas onde avistamos animais como macacos e aves, além de passeios de canoa. Uma atração natural notável é a Samaúma da Vida, uma árvore centenária imponente, que os locais consideram sagrada e chamam de “a mãe de todas as árvores”.

A nossa visita à Ilha do Combu representou um encontro autêntico com a Amazônia. Em suma, é um lugar onde desfrutamos de rica gastronomia, aprendemos sobre culturas tradicionais e testemunhamos a força de uma comunidade que vive em harmonia com um dos ecossistemas mais magníficos do planeta.
Dicas práticas
Ao comprar seu bilhete de ida e volta para a Ilha do Combu, guarde o ticket de retorno com segurança, pois você precisará dele para voltar a Belém. Além disso, apresente o bilhete sempre que quiser se deslocar de um local para o outro dentro do Igarapé Combu; caso contrário, você terá de pagar uma nova passagem.

Lembre-se de que a locomoção entre os restaurantes e a visita à Casa do Chocolate acontecem exclusivamente por barco.
Para garantir seu retorno, confirme o horário dos últimos barcos diretamente com os barqueiros, e não nos restaurantes. Muitas vezes, os funcionários dos estabelecimentos permanecem na ilha e podem informar horários incorretos. Durante minha visita, as saídas ocorriam até às 18h, mas, dependendo da época do ano, o serviço pode encerrar às 17h. Por isso, consulte sempre quem conduz a embarcação.
Embora você possa alugar um barco privado para visitar a ilha, isso não é estritamente necessário. As embarcações que partem de Belém não têm horário fixo; elas operam em esquema de lotação e saem a cada 15 ou 30 minutos. Ou seja, assim que o barco atinge um número considerável de passageiros, a viagem inicia.
Planeje seu roteiro com antecedência: decida em qual restaurante deseja ficar e informe o barqueiro no momento do embarque. Tenha em mente que, além do Igarapé Combu — onde se concentra a maioria dos restaurantes e a Casa do Chocolate —, existem outras rotas, como o Furo do Benedito. Portanto, verifique atentamente qual barco atende o seu destino específico.





















