Publicação atualizada em 13 de fevereiro de 2026 por Gil Mapas
Organizações de aviação alertam para risco de filas de até quatro horas na Europa devido à implementação do sistema EES, afetando diretamente os viajantes brasileiros na alta temporada.
Direto ao Ponto
- O que é o EES e como ele funciona?
- Por que o sistema pode causar filas de até quatro horas?
- Como isso afeta os viajantes brasileiros?
- A pressão do setor aéreo por flexibilização
Sistema EES na Europa: alerta de longas filas e impacto nos viajantes brasileiros
As principais organizações do setor aéreo europeu emitiram um alerta contundente à Comissão Europeia sobre os riscos de grave perturbação no fluxo de passageiros durante o próximo verão. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), a Associação das Companhias Aéreas Europeias (A4E) e o Conselho Internacional de Aeroportos para a Europa (ACI Europe), em declaração conjunta enviada ao Comissário Europeu Magnus Brunner, apontam dois problemas estruturais que ameaçam a operação nos aeroportos: a escassez crônica de pessoal nos serviços de fronteira e falhas tecnológicas não resolvidas no novo Sistema de Entrada e Saída (EES) .
O que é o EES e como ele funciona?
O EES representa a maior modernização do controle fronteiriço europeu das últimas décadas. Implementado gradualmente desde 12 de outubro de 2025, este sistema digital substitui os tradicionais carimbos manuais nos passaportes por registros eletrônicos e biométricos . Na prática, ao chegar ao espaço Schengen, o viajante brasileiro passará por um procedimento que inclui: escaneamento do passaporte, coleta de quatro impressões digitais e captura de imagem facial.
A União Europeia planeja concluir a implementação total até abril de 2026, período que coincide com o início da alta temporada turística.
Atualmente, os países membros operam em modelo híbrido, mas a partir de abril espera-se a padronização completa do controle de fronteiras em todos os 29 países do espaço Schengen, incluindo Portugal, Espanha, França e Itália, grande porta de entrada de brasileiros no continente.
Por que o sistema pode causar filas de até quatro horas?
O alerta das entidades de aviação fundamenta-se em dados operacionais concretos. Primeiramente, a coleta biométrica na primeira entrada exige mais tempo do que o simples carimbo, especialmente porque os dados precisam ser verificados e registrados no sistema central. Em segundo lugar, a escassez de funcionários nos postos de fronteira, problema crônico em diversos países europeus, agrava-se com a necessidade de operar novos equipamentos tecnológicos.
O Aeroporto de Lisboa surge como ponto crítico nesta equação. Historicamente, o principal aeroporto português já registra filas extensas mesmo com o sistema manual. Com a implementação do EES, a expectativa é que os passageiros brasileiros que utilizam Portugal como porta de entrada na Europa enfrentem os maiores transtornos, especialmente durante os meses de junho e julho.
As autoridades reconhecem que períodos de grande movimento, como férias de verão e feriados prolongados, servirão como primeiro grande teste para o sistema. O alerta inclui a possibilidade de tempos de espera superiores a quatro horas nos momentos de pico.
Como isso afeta os viajantes brasileiros?
Para os brasileiros, o impacto será duplo em 2026. Além do EES, entrará em vigor no último trimestre de 2026 o Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem (ETIAS). Este funcionará como uma pré-autorização digital obrigatória, com custo de 20 euros (aproximadamente R$ 125) e validade de três anos, exigindo passaporte biométrico para a solicitação.
Diante deste cenário, os viajantes brasileiros precisarão adaptar seu planejamento. As recomendações incluem:
- Chegar ao aeroporto com antecedência significativamente maior que a habitual, especialmente em voos com partida para da Europa para a Europa durante a alta temporada.
- Preparar-se para a coleta de dados biométricos na imigração, processo obrigatório mesmo para quem já visitou a Europa anteriormente.
- Verificar rigorosamente a validade e as condições do passaporte, que deve conter chip eletrônico para leitura nos quiosques de autoatendimento.
- Respeitar o prazo máximo de 90 dias de permanência em qualquer período de 180 dias, pois o sistema digital detectará automaticamente qualquer extrapolação e impedirá a entrada.
A pressão do setor aéreo por flexibilização
Diante das projeções preocupantes, as companhias aéreas e administradoras aeroportuárias pressionam Bruxelas por uma medida excepcional. O setor solicita que a Comissão Europeia autorize os Estados-Membros a suspenderem total ou parcialmente o EES até outubro de 2026.
O objetivo desta flexibilização temporária é evitar o colapso operacional durante a alta temporada turística, garantindo que o reforço da segurança nas fronteiras não comprometa a viabilidade das operações aéreas nem a experiência dos viajantes.
Enquanto a decisão não sai, a orientação para os brasileiros com viagem marcada para Europa em 2026 é clara: informação e planejamento fazem a diferença. Acompanhar comunicados oficiais, manter documentos atualizados e reservar tempo adicional nos aeroportos serão medidas essenciais para atravessar este período de transição sem contratempos .
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