África do Sul adota visto eletrônico ETA contra corrupção

Publicação atualizada em 24 de fevereiro de 2026 por Gil Mapas

Saiba tudo sobre a nova Autorização Eletrônica de Viagem (ETA) da África do Sul, que substitui vistos manuais por tecnologia digital para garantir mais segurança.

Direto ao Ponto


Auditoria revela décadas de irregularidades na imigração

Após a divulgação do relatório preliminar da Unidade Especial de Investigação (SIU), o Ministro do Interior da África do Sul, Leon Schreiber, apresentou uma avaliação contundente. Ele detalhou as irregularidades ocorridas ao longo de duas décadas na emissão de vistos. Com o intuito de resolver o problema, o ponto central de sua resposta foca na implementação acelerada da Autorização Eletrônica de Viagem (ETA). Consequentemente, esta tecnologia deverá se tornar a única forma de aprovação para todos os pedidos de visto no país.

As conclusões da investigação são inequívocas. A SIU, encarregada de investigar falhas administrativas entre 2004 e 2024, descobriu o que o ministro caracterizou como o produto de “vinte anos de má administração”. Além disso, Leon Schreiber afirmou que a corrupção prosperava nas lacunas de um sistema manual e baseado em papel. Devido a essa fragilidade, um pequeno grupo de funcionários causou danos substanciais à integridade do sistema de imigração sul-africano.

África do Sul: aviso sobre as mudanças nas políticas migratórias do país com a implantação e expansão do ETA.
África do Sul: aviso sobre as mudanças nas políticas migratórias do país com a implantação e expansão do ETA.
Crédito: https://www.gov.za

A resposta tecnológica: O funcionamento do sistema ETA

Atualmente, processos disciplinares e demissões já ocorrem, enquanto milhares de vistos de estudante fraudulentos sofrem revogação. No entanto, para o ministro, as sanções isoladas não bastam. Por esse motivo, a resposta precisa ser estrutural e tecnológica. No centro desta reforma está a ETA, posicionada como a principal ferramenta estratégica do Departamento de Assuntos Internos.

Embora tenha sido lançada antes da Cúpula do G20 do ano passado, a plataforma digital representa agora uma ruptura definitiva com os procedimentos tradicionais. De acordo com dados oficiais, o sistema já rejeitou mais de 30.000 pedidos que não cumpriam os requisitos para visto de turista. A eficácia da ETA depende de componentes avançados, tais como:

  • Aprendizado de máquina: Verifica a autenticidade de passaportes e documentos.
  • Reconhecimento facial: Compara o rosto do candidato em tempo real com a foto oficial.Automação de decisões:
  • Elimina a interferência humana e a discricionariedade no processo.

Dessa forma, o governo visa eliminar as oportunidades de corrupção ao retirar a intervenção manual em fases críticas das missões diplomáticas.

Expansão e o futuro digital da fronteira sul-africana

A ambição do governo vai muito além de uma simples triagem inicial. O Departamento de Assuntos Internos planeja expandir a ETA para que ela se torne a porta de entrada central de todos os vistos. Em breve, isso significará o fim dos canais de processamento paralelos nas embaixadas no exterior. Logo que concluírem esta etapa, as autoridades estenderão o sistema para vistos de estudante e outras categorias.

Portanto, o objetivo final é transferir todo o processamento para uma plataforma digital segura. Até o fim do mandato atual, a tecnologia automatizada processará exclusivamente todas as entradas no país. Ademais, o governo expandirá o reconhecimento facial em aeroportos e postos terrestres, em colaboração com a Autoridade de Gestão de Fronteiras (BMA). Analogamente, a ETA se conectará a um futuro sistema de identidade digital, garantindo que toda identidade registrada seja verificável e confiável.

Impactos para o Brasil e viajantes brasileiros

No que diz respeito ao Brasil, essas mudanças trazem impactos significativos. Atualmente, turistas brasileiros possuem isenção de visto para estadias de até 90 dias. Contudo, a transição total para o sistema ETA poderá incluir, futuramente, a obrigatoriedade de uma pré-autorização digital mesmo para países isentos, seguindo a tendência global de sistemas como o ETIAS europeu.

Para o viajante brasileiro, a modernização representa um ganho em segurança e agilidade. Visto que o sistema combate a fraude, a entrada de brasileiros legítimos torna-se mais fluida e menos sujeita a interrogatórios manuais subjetivos. Por outro lado, brasileiros que buscam vistos de longa permanência ou de estudante enfrentarão um rigor digital muito maior. Sob o mesmo ponto de vista, a digitalização facilita a vida de quem precisa de respostas rápidas, já que o sistema processa solicitações em até 24 horas.

Como utilizar a plataforma ETA na prática

Atualmente, a ETA já opera para cidadãos de países como China, Índia e México que entram por aeroportos específicos, como o de Joanesburgo e Cidade do Cabo. Para utilizar o serviço, o candidato deve acessar o portal oficial e realizar o processo em um dispositivo inteligente. Primeiramente, o usuário digitaliza o passaporte e, em seguida, tira uma selfie para a biometria.

Vale ressaltar que a ETA funciona como uma pré-autorização. Ainda que o viajante possua o documento digital, a admissão final permanece sujeita à inspeção da BMA no desembarque. A autorização possui validade de doze meses e permite estadias de até 90 dias. Assim que a entrada recebe aprovação no aeroporto, a autoridade emite um visto de visitante oficial.

Tecnologia e Transparência: O Novo Marco da Imigração

Ao colocar a ETA no centro da estratégia, Leon Schreiber posiciona a transformação digital como pilar para restaurar a ordem. Certamente, a publicação do relatório da SIU serve como um alerta sobre um sistema vulnerável. Visto que a automação elimina lacunas, o Governo de Unidade Nacional busca recuperar sua credibilidade internacional.

O desafio agora reside na velocidade da implementação. O ministro reconhece a urgência de acelerar o projeto para garantir que o futuro do Ministério do Interior supere as falhas do passado. Em última análise, a África do Sul aposta na biometria para garantir fronteiras seguras e um ambiente de viagens mais transparente e moderno.

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